terça-feira, 5 de agosto de 2025

A Execução de Jeferson de Souza: Quando o Estado Vira a Arma

 Conteúdo sensível: este artigo aborda violência policial e execução extrajudicial.

No dia 13 de junho, sob o concreto cinzento do Viaduto da Rua da Figueira, no centro de São Paulo, o Brasil perdeu mais que uma vida. Perdemos mais uma parte da nossa humanidade.

Jeferson de Souza era morador de rua. Invisível para muitos, ignorado por outros tantos. Mas naquele dia, ele foi visto — não com compaixão, mas com a mira de um fuzil.
E essa imagem, infelizmente, foi registrada por uma câmera que deveria servir à transparência, mas quase foi silenciada por uma mão que tentou escondê-la.

Uma morte anunciada — e filmada

As imagens de câmera corporal, reveladas dias depois, mostram o tenente da Polícia Militar Allan Wallace atirando duas vezes contra Jeferson: um tiro na cabeça e outro no tórax.
O que torna tudo ainda mais brutal é o fato de que a vítima estava rendida, chorando, e sem qualquer ameaça aparente. Não esboçava reação. Não portava arma. Não representava perigo.

A versão inicial da PM? Legítima defesa.
Mas as imagens falaram mais alto que qualquer boletim oficial.
E disseram a verdade: não foi defesa. Foi execução.



A tentativa de apagar a verdade

O soldado Danilo Gehrinh, também envolvido na ação, aparece tentando cobrir a câmera no momento exato do disparo. Um gesto que fala por si: sabiam o que estavam fazendo.
Sabiam que era errado.
E mesmo assim, fizeram.

Justiça ou encenação?

Diante da repercussão, o Ministério Público pediu a prisão preventiva dos dois policiais. A Promotoria foi direta:

“Um ato de sadismo e desprezo pela vida.”

Mas será que a justiça virá? 

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